sexta-feira, 7 de julho de 2017

“Robinson é competente, mas não tem recursos para administrar”, diz Vivaldo

A crise financeira que vem assolando o Brasil desde meados de 2015 está comprometendo o trabalho de diversas gestões estaduais em todas as partes da federação, e no Rio Grande do Norte não é diferente. Com a escassez de recursos, o poder executivo estadual não tem conseguido colocar em prática tudo que havia planejado em seu cronograma administrativo, o que está gerando inúmeros contratempos em diversos segmentos da administração, sendo os principais deles no tocante ao fomento nas áreas da saúde e da segurança pública.

O pensamento acima foi exposto e corroborado pelo deputado estadual Vivaldo Costa, do Partido Republicano da Ordem Social (PROS). Em entrevista exclusiva concedida ao Agora Jornal, o parlamentar, que é ex-vice-governador do Estado e exerce atualmente o seu oitavo mandato na Assembleia Legislativa, lamentou a situação com a qual o governador Robinson Faria (PSD) encontrou o Rio Grande do Norte, sem recursos e em meio à crise enfrentada pelo país.

“Atualmente o Rio Grande do Norte é um dos estados mais pobres da federação. Robinson Faria herdou um estado empobrecido, e mesmo utilizando de toda sua experiência política (foi deputado várias vezes, presidiu a Assembleia Legislativa e foi vice-governador do Estado) está tendo dificuldades para pagar o funcionalismo em dia. Isso sem dúvida nenhuma é reflexo do endividamento do Estado, que para piorar é parte de um país que também está quebrado financeiramente falando”, externou o deputado.

Na visão de Vivaldo, o governador tem feito tudo que lhe é possível durante sua gestão no RN, mas está sempre esbarrando na falta de dinheiro nos cofres públicos, o que acaba dificultando o andamento do trabalho planejado para o Executivo. Todavia, crê que o eleitorado tem percebido a luta incansável do atual gestor e compreende o momento vivido em todas as ramificações de sua administração.

“Robinson tem se movimentado constantemente através de amizades e contatos políticos, e desde o início da sua gestão vem buscando até mesmo nomes nacionais para proteger o Rio Grande do Norte. É um mecanismo de superação que ele busca, apesar de todos os problemas encarados. Acredito que as pessoas sabem que Robinson está fazendo tudo que é possível para viabilizar a sua administração. O eleitor não o vê parado e sabe que tem um governador capaz, atuante e preparado, mas que está sem recursos para fazer uma grande administração”, reforçou.

Questionado sobre quais os principais problemas do Rio Grande do Norte nos dias de hoje, Vivaldo Costa, que é médico por formação, disse continuar acreditando que a saúde pública é o setor que mais carece de investimentos em solo potiguar. Para ele, também devido à falta de recursos, é perceptível o aumento dos problemas no setor de saúde do Estado ano após ano, principalmente em situações como os corredores dos hospitais, cada vez mais superlotados.

“Nós vemos em todas as partes do RN os prontos-socorros abarrotados de gente, corredores lotados e hospitais com falta de cirurgias eletivas e atendimento de qualidade. Eu acho que mesmo com os parcos recursos que temos atualmente, poderia haver uma potencialidade maior dele para que o Estado pudesse oferecer um atendimento médico qualificado a população, principalmente através do Programa Saúde da Família. Se este programa funcionasse exatamente como foi idealizado, certamente nosso cenário hoje seria melhor”, declarou.

No tocante a segurança pública, setor do Estado mais criticado pela população atualmente, Vivaldo acredita tratar-se de um problema generalizado e seu aumento está atrelado a falta de políticas públicas, seja ele por parte das administrações estaduais ou mesmo a federal. “Estamos enfrentando o crime organizado, com as facções mandando em diversas regiões das cidades e se preparando para a guerra. O poder público, com os poucos recursos que tem para fazer o enfrentamento, acaba ficando de mãos atadas. Esse problema é de todo o Brasil”, contou, completando o raciocínio em seguida:

“Hoje nós vemos crianças de 7, 8 anos sendo recrutadas para esses comandos criminosos, servindo de aviõezinhos e sendo disciplinadas para atenderem aquele determinado grupo no futuro. É uma situação ainda mais profunda do que a gente imagina. Creio que faltam também políticas públicas para que elas não sejam recrutadas pelos grupos criminosos. Hoje em dia não temos mais creches, casulos e nem centros sociais-urbanos. Tudo isso é coisa do passado, não existe praticamente mais nada e essa ausência dessas políticas faz com que elas entrem no caminho da marginalidade”, finalizou.


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