
O comandante do 4º batalhão de Polícia Militar, major Marcos Lisboa explicou que novas estratégias estão sendo desenvolvidas, no dia-a-dia, para tentar amenizar a baixa de efetivo. Alguns exemplos são as operações nos lugares que apresentam a maior quantidade de crimes, locais denominados como “ manchas criminais”. “Em função da falta de efetivo, a gente vive de criar estratégias de guerra, como aumentar a quantidade de operações”, disse Lisboa.
As deficiências na segurança pública refletem nos altos índices de Condutas Violentas Letais Intencionais (CVLIs) registrados no Rio Grande do Norte e, em maior escala na capital potiguar, No primeiro semestre deste ano, houve aumento de 220 assassinatos a mais do que o mesmo período em 2016, quando 982 pessoas morreram entre 1º de janeiro e 30 de junho. Em percentuais, o crescimento foi de 22,4% no período. Os dados são do levantamento semestral elaborado pelo Observatório da Violência Letal Intencional (OBVIO).
Natal está no topo do ranking da violência, com 307 mortes - oito a mais que no primeiro semestre de 2016. A zona Norte da cidade tem o pior índice, com 116 pessoas mortas, apesar de apresentar uma redução de 5,7% em relação ao ano anterior. O maior aumento está na zona Sul da cidade, onde 37 pessoas morreram - 76,2% a mais que em 2016. Por outro lado, a maior redução da violência está na zona leste, de 26,7% - 33 mortes este ano, contra 45 no ano passado.
Um desequilíbrio que amedronta a população, a criminalidade aumentou e a estrutura de combate diminuiu ao longo dos anos. Hoje, a Polícia Militar tem menos de 8.200 servidores na ativa, que se dividem no policiamento ostensivo, serviços administrativos da Corporação e ainda os que são desviados de suas funções de origem; São 5.266 policiais militares a menos do que define a legislação. Por lei, a PMRN deveria ter em seus quadros 13.466 soldados e oficiais. Por ano, apenas a Polícia Militar perde, aproximadamente, 800 servidores por aposentadoria, baixas por morte e demissões por motivos diversos.
A TRIBUNA DO NORTE esteve, ao longo de uma semana, em batalhões de todas as áreas da capital e comprovou não somente a falta de efetivo, mas também o sucateamento de viaturas e equipamentos de proteção individual. De Norte a Sul da cidade, uma população com medo, que nem nas próprias casas se sente segura.
Este ano, em menos de seis meses, pelo menos 200 soldados pediram para entrar na reserva, com receio de perder direitos em decorrência da Reforma da Previdência Social pleiteada pelo Governo Federal e Estadual. Não bastasse o problema com o baixo efetivo, considerado o pior pela Corporação, a Polícia Militar do Rio Grande do Norte acumula dívidas. Somente com o fornecedor de munições, o débito gira em torno de R$ 700 mil. Se não fosse um acordo e a promessa de quitação da dívida, a Corporação não estaria recebendo cartuchos para distribuir aos policiais militares em serviço.
Tribuna do Norte
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